domingo, 6 de julho de 2008

as vezes...



Às vezes é preciso aprender a perder, a ouvir e não responder, a falar sem nada dizer, a esconder o que mais queremos mostrar, dar sem receber, sem cobrar, sem reclamar. Às vezes, é preciso partir antes do tempo, dizer aquilo que mais se teme dizer, arrumar a casa e a cabeça, limpar a alma. Às vezes, mais vale desistir do que insistir, esquecer do que querer. No ar ficará para sempre a dúvida se fizemos bem, mas pelo menos temos a paz de ter feito aquilo que devia ser feito, somos outra vez donos da nossa vida. Às vezes, é preciso abrir a janela e jogar tudo borda fora, queimar cartas e fotografias, esquecer a voz e o cheiro, as mãos e a cor da pele, apagar a memória sem medo de a perder para sempre, esquecer tudo, cada momento, cada minuto, cada passo e cada palavra, cada promessa e cada desilusão, atirar com tudo para dentro de uma gaveta e deitar fora a chave. Porque quem parte é quem sabe para onde vai, quem escolhe o seu caminho, mesmo que não haja caminho, porque o caminho se faz a andar. O sol, o vento o céu e o cheiro do mar são os nossos guias, a única companhia, a certeza que fizemos bem e que não podia ser de outra maneira. Quem fica, fica a ver, a pensar, a meditar, a lembrar. Até se conformar e um dia então, esquecer.

P.S.
A vida realmente é mesmo éfemera tudo pode mudar num minuto, os planos feitos acavam e tudo muda!

P.S.

sábado, 5 de julho de 2008

nao posso negar!!!


Não posso negar o que vi, o que cheirei, o que senti, o que amei. Não posso negar que fui feliz, se fecho os olhos e sinto ainda todos os instantes felizes. Não, não posso negar que atravessei rios contigo, que te ensinei o nome das estrelas, que ouvimos juntos os pássaros e o vento nas árvores, que caminhei pelas ruas de mãos dadas contigo e que houve outros momentos que não foram tão felizes (…) mas havia uma luz ao fundo e essa luz indicava o caminho. Enquanto me lembrar estarei vivo e, vivendo, não deixarei morrer quem caminhou comigo, ao longo do caminho.
Nao Te Deixarei Morrer, David Crockett, Miguel Sousa Tavares
P.S

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Descarrilar...

Às vezes não sei o que hei-de fazer com a vida, vejo os dias sucederem-se num comboio estúpido e sem estações conduzido por um maquinista louco que não faz a mínima ideia onde acaba a linha e o pior é que nem quer saber. O comboio desliza sobre os carris cada vez mais depressa como se a qualquer instante perdesse a aderência e descarrilasse e então imagino as carruagens tombadas com as vísceras das minhas memórias espalhadas por todo o lado, a vida desmantelada no que já foi uma experiência rica e cheia, e que agora não vale nada.
Artista de Circo, Margarida Rebelo Pinto

P.S.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Tu és assim....

Como um Cavaleiro Andante habitas a prateleira dos livros especiais, moras naquele caderno estimado, de capa aveludada, com o teu cavalo alado, com a tua lança aguçada, com a tua espada, a tua armadura. Adoro sentar-me no chão, abrir-te de página em página e ouvir-te contar histórias sem nunca me cansar do teu «Era Uma Vez...». Contas tudo com um sorriso de menino, convences-me que todas as batalhas estão ganhas, que todas as vitórias são tuas e que no final do dia, voltas sempre para mim... cansado mas ufano, esgotado mas feliz. E eu, noite após noite, espero por ti. Sinto a minha alma desprender-se na tua direcção, vejo-a a vaguear pela linha do horizonte ansiando a tua chegada, com o cabelo ao vento. Mas tu não chegas… a lua dá lugar ao sol, o dia dá lugar a outro dia, a noite a outra noite, e eu espero… espero… espero... É então que oiço a tua voz dentro do livro a chamar por mim. Corro para te agarrar, para te tocar, para te dar um beijo, para te sentir, mas… és feito de papel, és uma personagem imaginária, o príncipe idealizado, o homem inexistente que apenas sonhei… Porque proteges os desafortunados e te esqueces de mim? Porque salvas o mundo e me deixas perder? Porque procuras recompensas se tens todo o meu amor? Nesses instantes a casa, transforma-se numa torre onde me sinto uma princesa agrilhoada, esta torre é tão real, tão fria, tão triste, tão intransponível. E a solidão mancha as páginas do livro, cobre tudo de negro, escurece as páginas que outrora foram pinceladas de cor-de-rosa. As lágrimas escorrem e esborratam as letras douradas da história que foi nossa. A tua imagem dilui-se, a tua voz dissipa-se, o meu amor esvai-se…

P.S.